O Café História O café no mundo
O café no mundo

Levou muitos séculos para que os homens se tornassem grandes consumidores do café. Essa história começa entre os anos 900 e 1000 depois de Cristo, quando grãos dessa planta chegaram à costa ocidental, em navios que traziam muitos produtos até então desconhecidos na região. A palavra café deriva da antiga Arábia: kahwah ou kahweh, que literalmente significa força e excitamento. Cada nação que adotou o café passou a pronunciá-lo de forma similar. No alemão ele é chamado Kaffee; no latim Coffea; no italiano caffè; e em russo kophe.

O café se originou na Etiópia, onde, ainda nos dias de hoje, é encontrado na sua forma silvestre. Ele foi, com o tempo, levado para as redondezas de Iémen e cultivado em áreas perto de Kaffa, de onde se espalhou rapidamente. Dizem que um grupo de monges eremitas de Iémen, que vivia da agricultura e criação, observou que quando suas cabras comiam certas folhas e grãos de um pequeno arbusto, elas, de repente, ficavam muito ativas, inclusive durante a noite. Os monges, portanto, começaram a usar os tais grãos para mantê-las acordadas durante as vigílias noturnas. Enquanto Iémen era vagarosamente conquistado, o uso do café se espalhou pela Pérsia, Arábia, Egito e Turquia.

E foi dos árabes a idéia de torrar grãos de café e misturá-los com água quente. A primeira torração que se tem conhecimento se deu no mundo mulçumano, entre os séculos XIV e XV. Antes disso, ele era, geralmente, consumido cru. A bebida, que era capaz de aumentar a concentração, levar à euforia e tirar o sono, logo ganhou o mundo. Em 1517, depois que Caliph Selim conquistou o Egito, o café chegou a Constantinopla. Deste momento em diante, pessoas começaram a beber café em todo Império Turco. E foi durante este período que a primeira prova científica acerca das propriedades terapêuticas do café se tornou conhecida

Locais de encontro
As primeiras cafeterias foram fundadas em Meca e Constantinopla, porém, a religião mulçumana acabou por fechá-las acusando de serem estes “lugares de pecado e perdição”. Um dia histórico dentro da história do café foi 7 de outubro de 1517. Foi nesta data que os poderes navais ocidentais enfrentaram e venceram uma pesada luta contra o Império Turco na Batalha de Lepanto. Como era freqüente nestas batalhas, o vencedor adotou algumas das tradições dos perdedores e o café entrou no ocidente pela República Veneziana.

A partir daí o café se tornou um presente dado em ocasiões especiais ou como sinal de amizade. O entusiasmo em torno dele atingiu um nível tal que as plantas de café encontravam-se entre o luxuoso rol de presentes reais, enquanto amantes enviavam, uns aos outros, bandejas cheias de café. De 1683 em diante, as cafeterias se multiplicaram. Elas foram tradicionalmente chamadas pelos nomes de pessoas famosas da época, como escritores, políticos e filósofos que freqüentavam o local. Entre um gole e outro, os intelectuais varavam a noite, escrevendo, compondo, discutindo política e outros temas mais elevados. Antes de 1720 mais de 300 mil sacas de café já estavam sendo consumidas por ano na Europa.

Muitos artistas celebraram o café. Em 1750, o dramaturgo italiano Carlo Goldoni escreveu uma encantadora peça de teatro, que recebeu o nome de “A cafeteria”, na qual um dos personagens dizia: “todos tentam copiar os outros. Antes nós tínhamos o conhaque, agora o café é a última moda”. Outro apaixonado por café foi Sebastian Bach, que em 1732 referenciou a bebida com uma cantata, a “Kaffee-Kantate”.

Enquanto o café foi descoberto no século XVI e apareceu pela primeira vez na Europa no XVII, ele se tornou incrivelmente popular durante o século XVIII e quase universal antes do ano 1900. Em 1820, o cientista alemão Friedlieb Ferdinand Runge descobriu a cafeína e a extraiu da planta. Ao mesmo tempo, enquanto Veneza declinava, Trieste se tornava herdeira natural como um centro de tradição do café.

As fábricas de torração foram estabelecidas no início do século XX, para ajudar as cafeterias nesta honrosa tarefa de fazer o café. Esta união aconteceu com intuito de manter a consistência e a qualidade da bebida. A primeira máquina de expresso foi inventada por Luigi Bezerra em 1903, mas ele não se sentia capaz de lançá-la no mercado e vendeu a patente para o industrialista Desiderio Pavoni. Em 1933, Afonso Bialetti começou a vender a Máquina de Expresso Moka, tornando a bebida parte essencial na vida cotidiana de milhões de Italianos.

A planta do café também foi exportada para outras partes do mundo, inclusive para as Américas Central e do Sul, onde, como você pode perceber, se tornou uma real fonte de riqueza.