O Café Cafés Finos Os cafés especiais no Brasil hoje
Os cafés especiais no Brasil hoje
 
Por iniciativa de cafeicultores do sul de Minas e da região dos cerrados, o Brasil passou a produzir, nos últimos anos, cafés de qualidade comparável ou superior aos dos melhores do mundo. É o café Gourmet, dirigido a consumidores do mercado de luxo, onde a sofisticação e o detalhe exclusivo estão contidos no preço. No exterior, à falta de um marketing mais agressivo, o produto gourmet conta desde 1991 com ações localizadas de divulgação executadas pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, sigla de Brazil Specialty Coffee Association). Em setembro de 2001, a promoção do café gourmet passou a ser apoiada por um plano de marketing internacional, financiado pelo Ministério da Agricultura, Agência de Promoção de Exportações (Apex) e pela própria BSCA. A verba para esse plano é desproporcional à importância e à necessidade de ampliação desse mercado, em nível internacional. São aproximadamente R$ 8 milhões por ano, cabendo R$ 1,4 milhão aos cafés especiais e o restante a outros tipos, como o café solúvel, por exemplo. Com essa limitação, não é possível uma propaganda intensiva desse produto ímpar. Para se ter uma idéia, a Colômbia gasta US$ 50 milhões por ano com a divulgação maciça de seu café no exterior.

A promoção comercial conduzida pelo Brasil tem sido tímida e está restrita à participação brasileira em feiras, nos mercados norte-americano, europeu e japonês. O desafio está em mostrar que o Brasil é capaz de produzir café da mais alta qualidade, superior a qualquer um de seus concorrentes no mercado mundial. Mesmo assim, o café Gourmet brasileiro tem ampliado a sua participação no exterior. Para um mercado que até bem pouco tempo não comprava cafés especiais do Brasil, calcula-se que torrefadoras e redes de "coffee shops" norte-americanas importaram no ano passado aproximadamente 300 mil sacas de 60 quilos. É pouco perto dos cerca de 20 milhões de sacas de café comum exportadas pelo Brasil. Mas o que se destaca é o alto valor que os cafés especiais alcançam junto aos consumidores: enquanto os tradicionais conseguem US$ 50 pela saca de 60 quilos, o gourmet chega até US$ 245, quando fornecido por uma única propriedade com identidade própria. Um exemplo é a marca "Brazil Ipanema Bourbon", produzida pela fazenda brasileira Ipanema Agrícola, de Alfenas, para a Starbucks, que é vendida ao consumidor final na rede de "coffee shops" a US$ 26 o quilo (US$ 1.560 a saca de 60 quilos).

O avanço do consumo de cafés de qualidade no Brasil, com maior penetração no varejo do país, está incentivando a Organização Internacional do Café (OIC) a aplicar programas de estímulo ao consumo interno em outros países. Na mesma linha, os exportadores brasileiros querem que o café nacional aumente sua participação no exterior.

A OIC contratou em 2004, a consultoria P&A, dirigida por Carlos Brando, para visitar sete países produtores de café, entre eles, Colômbia, Vietnã, Quênia e Guatemala, para entender o perfil de consumo do produto em seus próprios mercados. Destas visitas, saiu um manual para estimular o consumo de café para o países produtores. Esse manual servirá como base para que os países produtores possam estimular o consumo em seus próprios mercados.